Acabo de ler essa obra espantosa que é Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar. E não terei a menor pretensão de oferecer análise alguma após esta primeira leitura. Prefiro ir relendo aos poucos e colocando aqui impressões que vão ganhando corpo na minha interpretação desta história incrível.
Primeiro, quero pensar que li um livro escrito com muito capricho e muita inspiração. Muito capricho pela variação constante das formas de narrar, pelas mudanças de estilo e de ritmo, pela quantidade impressionante de imagens fortes e intensas e pelo trabalho artesanal com o léxico e a linguagem. Muita inspiração pela felicidade das escolhas, pelo acerto das mudanças citadas, pela química conseguida na somatória dos capítulos. Creio que esse segundo aspecto é um pouco inexplicável, pois supõe também certa empatia do leitor com o esforço artístico do autor; ainda assim, procurarei delimitar essa boa impressão nos termos cartesianos de análise, decompondo-a e examinando-a em suas partes, no curso de minhas releituras. Prometo.
domingo, 22 de novembro de 2009
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