Interessante introdução ao tema, servindo também como introdução à coleção que trata das emoções humanas. Os autores apresentam a alegria como um sentimento a ser reprimido dentro da lógica do trabalho, da racionalidade e do esforço intelectual, mas ao mesmo tempo como a grande força propulsora das ações humanas. Há referências a Freud, Lacan, Nietszche, e interpretações muito interessantes da fábula da cigarra e da formiga. Particularmente, gostei dos trechos que fazem referência às crianças e à capacidade que têm de satisfações espontâneas e efêmeras. A parte final me fez pensar que, se a alegria se opõe ao medo, como o livro preconiza, o maior impedimento à alegria também é o maior impedimento à tristeza, que é a restrição ao prazer espontâneo pela sensação de perda do controle (o medo, justamente), e aqui estou considerando que a tristeza não é necessariamente um desprazer, vide a predileção de muitas pessoas por eventos artísticos dramáticos, sentimentais, tristes etc.
O melhor trecho do livro, para mim, é aquele que nos diz, sobre a alegria, que
a cultura ocidental restringiu muito seu alcance. Desde o advento da modernidade, se não antes, a alegria passou a ser vista com grande suspeição. Em nome da sensatez ditada pela adoção da Razão e de seus produtos maiores - a ciência, a tecnologia, o trabalho e evidentemente o lucro que os acompanha - como bússolas norteadoras das ações humanas, passou-se a olhar com reserva a desmesura e o poder inebriante desta que é a mais contagiante das emoções. Como se a alegria devesse ser tanto mais temida quanto mais afasta o homem da retidão controlada e do cálculo que, por meio do adiamento das satisfações do corpo e da alma, promete recompensas futuras. Com o agravante de que a sua irresistível propagação pode adquirir proporções inimagináveis.
A leitura desse trecho por um artista merece, no mínimo, um largo sorriso.

