sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Fanfarras, de Teófilo Dias


Livro que é considerado o primeiro do Parnasianismo no Brasil, apresenta, como solução de recusa à espiritualidade e à fantasia características do Romantismo, uma coleção de poemas fortemente sensuais, tanto pela observação das cenas e objetos exteriores, quanto pelo erotismo carnal. Acontece que, conforme o gosto da corrente literária, esse erotismo é conservador e estetizante, jamais transborda além do impacto da eloquência. Ainda sobrevivem traços da poesia participante e declamatória. Os poemas traduzidos de Baudelaire e Hugo mostram como Teófilo Dias escolhe com menos felicidade imagens, temas e ideias, pois mesmo reelaborados em Português ainda são melhores que os do tradutor. Os poemas "Saudade", "Latet Anguis" e "A voz" parecem ser os mais interessantes em termos de construção, que é, afinal, o que interessa na estética do Parnaso. "O rio e o vento" poderia ter um final mais condizente com o bom desenvolvimento.
Estão lá a tentativa de observação objetificante, a eloquência, a sensualidade do movimento, tudo em potência. Em "Fanfarras", o Parnasianismo ainda não se fez, apenas se insinuou, procurando seu lugar.

Tratado de versificação, de Olavo Bilac e Guimarães Passos





Obra que interessa principalmente como testemunho histórico da percepção poética dos parnasianos, o tratado (designação um tanto quanto arrogante) divide-se em três partes. Na primeira, há um longo apanhado da produções poética brasileira desde a Colônia. Há referência a muitos poetas hoje completamente esquecidos, e isso pode gerar bom material de pesquisa. Na segunda parte, todas as receitas de efeitos sonoros do cabedal parnasiano estão devidamente arroladas. São tratadas as artimanhas do verso tecnicamente apurado, mas o sujeito do discurso deixa escapar, vez por outra, preferências que são só preferências, injustificáveis, indicadas como se fossem leis naturais; talvez seja essa a parte mais curiosa da leitura. Na terceira parte, são apresentadas as formas poéticas consagradas conhecidas até então, com especial atenção para o soneto, considerada a mais especial dentre todas. E é isso.