Pequeno ensaio sociológico sobre a importância cultural de Adoniran para a cidade de São Paulo, o livro de Krausche é referência obrigatória para quem estuda a obra desse compositor. O autor demonstra aguda compreensão da relação entre Adoniran e a cidade. Muitas de suas colocações são paradigmáticas para qualquer trabalho que se proponha a analisar os aspectos poéticos da melancolia do sambista. Krausche percebe, por exemplo, que o ritmo e a cadência entonacional da fala, mais do que a imitação dos desvios fonéticos e ortográficos, são a base da musicalidade diferenciada de Adoniran. Mais tarde, os estudos de Tatit sobre a figurativização na canção brasileira viriam apenas solidificar as percepções de Krausche por meio de um aparato de análise mais elaborado e conceitualmente preciso (o da semiótica). As análises das letras de canções empreendidas por Krausche revelam-se precisas e pertinentes, e isso permite que o autor identifique traços fundamentais do estilo composicional de Adoniran. As questões levantadas por Krausche remetem à necessidade de um estudo mais profundo e detalhado sobre os elementos que compõem esse estilo, que poderia confirmar a relevância dos traços que identificou. Para quem estuda Adoniran, uma obra incontornável.
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