A releitura deste romance, que às vezes parece uma melancólica crônica superdimensionada e aprofundada em seus temas, corrobora e amplifica a tristeza do título, a terrível sanção negativa sobre o patriotismo bem intencionado e a confiança nas instituições. O fim de Policarpo, na verdade, é apenas a confirmação de sua inadequação social durante todo o seu trajeto político e ideológico enquanto cidadão. O que Lima Barreto parece ter de mais impagável e insuperável é a capacidade de observação detalhada e precisa do Brasil da Primeira República. Vale notar que olhar do autor não se concentra apenas no que interessa imediatamente ao enredo ou à sua visão de mundo: há exploração de diversas cenas, em diversos ambientes e contextos igualmente distintos. É um olhar que aprecia com espírito de indagação a pobreza, a riqueza, os militares, as famílias, a vida das mulheres, as aspirações sociais, os imigrantes, os escravos. Por detrás dessa ampla percepção de elementos coetâneos, há um autor implicíto cético, indignado e pessimista, mas creio que não seja possível sustentar muito mais que isso e, talvez, no plano das posições políticas da época, o antiflorianismo e a decepção com as instituições da República. A amargura de Lima Barreto faz com que ele não tome partido explícito e claro das figuras injustiçadas dentro do romance, sejam elas o protagonista romântico Quaresma, as mulheres oprimidas pelo casamento de fachada, ou os escravos do sítio do Sossego. Observador arguto, ele reconhece a opressão, mas não se furta a caracterizar o oprimido de maneira, muitas vezes, negativa. A única exceção é Olga, que parece ser o ponto mental de equilíbrio e valor humano da narrativa.
Como resultado, temos o retrato duro de um período conturbado e tenso. E, de dentro desse retrato, uma reflexão humana e sofrida do conflito entre as escolhas do caráter e a violência das convenções que o corrompem.

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